Fonte: Rondonoticias
Entrevista – 09/02/10 11:47
O vereador Cláudio Carvalho (PT-Porto Velho) explicou que foi o único a votar contra a implantação do mototáxi na capital devido à sua ligação com taxistas e funcionários de empresas de ônibus. Ele também defende a emancipação da Ponta do Abunã e o voto pelo sim no dia 28. Acompanhe a entrevista:
Rondonoticias: O senhor foi o único vereador a votar contra a implantação do mototáxi em Porto Velho, na segunda vez que a matéria foi apreciada na Câmara Municipal, mesmo sabendo que iria perder. Na primeira vez, outros vereadores votaram contra. Por que o senhor não mudou de lado?
Cláudio Carvalho: Eu tenho uma origem ligada ao transportes. Fui dirigente do Sindicato dos Motoristas de Ônibus e Cobradores durante 11 anos. Tenho um compromisso com esse pessoal. Quando fui secretário de Transportes de Porto Velho fiz um trabalho com taxistas, uma classe muito sofrida, que merece nosso respeito. Acabei me ligando à categoria. Eu não poderia abandonar essas pessoas.
Rondonoticias: O senhor também dizia que o mototáxi é perigoso…
Cláudio Carvalho: Justamente. Fiquei praticamente quatro anos na Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (Semtran) e vi que o número de acidentes é alarmante. Em todo o Brasil temos problemas, mas aqui é muito perigoso. Entendo que esse tipo de transporte traz problemas. Mas sei que a maioria dos taxistas são pessoas de bem e pais de famíalia.
Rondonoticias: Agora o senhor não é mais contra o mototáxi?
Cláudio Carvalho: Agora o mototáxi está regulamentado. A fase de discussão já passou. Agora é preciso entregar as placas aos mototaxistas. A população precisa ajudar a fiscalizar, para que pessoas de bem atuem nesse setor.
Rondonoticias: A Semtran tinha dificuldades para fiscalizar o mototáxi porque não havia um convênio com a Polícia Militar. Agora, o convênio foi finalmente assinado. Já há condições de fiscalizar a atividade?
Cláudio Carvalho: O convênio com a Polícia Militar não apresenta tanta resultado como muita gente espera, porque o contingente da PM é pequeno. Não é por culpa dos policiais, que desenvolvem todo o esforço possível. O governo é que precisa contratar mais gente.
Rondonoticias: Então nada vai mudar no trânsito?
Cláudio Carvalho: Vai, sim. O convênio com a PM já ajuda, mas nos próximos dias entre 60 e 80 agentes municipais de trânsito estarão entrando em atividade.
Rondonoticias: Assim, também haverá uma fiscalização rigorosa na atividade de mototáxi?
Cláudio Carvalho: A fiscalização deve ser em relação ao transporte e trânsito em geral. No tocante ao mototáxi, é preciso disciplinar algumas coisas. A atividade está regulamentada. Não é qualquer um que pode colocar um colete e sair transportando passageiros de moto. Esse serviço deve ser prestado por pessoas de bem, cobrando um valor justo. Defendo que seja colocado um mototaxímetro, da mesma forma que existe o taxímetro.
Rondonoticias: O senhor havia dito que a atividade de mototáxi prejudicou muitos taxistas, que não tiveram condições de pagar o financiamento bancário dos veículos e ficaram sem o automóvel. Com a regulamentação, esse problema acaba?
Cláudio Carvalho: Ao todo, 574 pessoas serão contempladas com as placas para a atividade de mototáxi. Será preciso fiscalizar, para que as pessoas que não receberem as placas parem de exercer a atividade. Com cerca de três mil mototaxistas trabalhando irregularmente, diversos taxistas perderam os automóveis. A frota de táxi foi renovada e as prestações estão entre R$ 800,00 e R$ 1.500,00. Isso foi bom para o usuário, mas o movimento na praça caiu devido ao mototáxi irregular.
Rondonoticias: Falando agora de trânsito, o corredor para ônibus que será aberto na avenida 7 de Setembro vai melhorar o fluxo de veículos?
Cláudio Carvalho: Tanto dos carros de passeio quanto de ônibus. Um estudo da Semtran revela que os ônibus perdem em média nove minutos na 7 de Setembro, em cada percurso. Com o corredor, o percurso dos ônibus ficará mais rápido, principalmente nos horários de pico.
Rondonoticias: O senhor também está envolvido em outro projeto, que é ajudar moradores de Extrema a conseguir a emancipação do distrito. Por que decidiu se envolver nesse projeto?
Cláudio Carvalho: Fui bem votado em Extrema e não abandonei aquela base. Conheço a história do distrito. Os moradores tentam a emancipação desde 1988. Assim, decidi ajudar a comissão que trabalha pelo sim.
Rondonoticias: Os eleitores de Porto Velho e dos distritos irão às urnas no dia 28, para votar pelo sim ou pelo não. Esses eleitores estão conscientes da real situação de Extrema?
Cláudio Carvalho: A maior parte dos moradores de Porto Velho nunca foi em Extrema. Acho injusto que pessoas que desconhecem a realidade de um distrito decidam seu destino, mas como a lei precisa ser cumprida, resolvi colaborar e mostrar aos moradores de Porto Velho que o distrito precisa ser emancipado.
Rondonoticias: A Ponta do Abunã tem condições de sobreviver como município?
Cláudio Carvalho: Não só de sobreviver, mas também de se desenvolver. Na região moram cerca de 30 mil pessoas. É uma população maior do que a de alguns municípios de Rondônia.

