Comissão faz campanha pela emancipação de Extrema

Fonte: Diário da Amazonia

Repórter: Rafael Abreu – Foto: J.Gomes

Comissão faz campanha pela emancipação de Extrema

A criação do município Extrema de Rondônia é questão de justiça. É dessa forma que a Comissão Pró-Emancipação da Ponta do Abunã (Extrema, Nova Califórnia, Fortaleza do Abunã e Vista Alegre) percorre a Capital e os distritos da BR-364 defendendo o voto sim (nº 55) no plebiscito que será realizado no próximo dia 28 (domingo). O voto será obrigatório para os eleitores da capital e a ausência nas urnas trará punições de uma eleição política, como multa e suspensão do titulo eleitoral. Para votar não o número é 77.

Os Integrantes do movimento do sim estiveram na tarde de ontem no Diário da Amazônia e fizeram questão de frisar que a região da Ponta do Abunã tem todas as condições para ganhar a emancipação político-administrativa. Garantiram que os órgãos governamentais já fizeram levantamento sócio-econômico e houve a comprovação de que a região pode andar com as próprias pernas. “Há 22 anos lutamos por isso e a oportunidade de transformação da Ponta do Abunã pode acontecer agora com a condição de município. Precisamos de um voto de solidariedade para ajudar a nossa região crescer”, diz Josué da Silva, líder da comissão.

Desinformação

Uma preocupação do Movimento é com a falta de informação da população sobre a eleição. “Não temos recursos para divulgar o plebiscito, então estamos indo no corpo a corpo pedir que as pessoas votem no sim”, afirmou o morador José Ilson Bilizario. O alivio dos integrantes é que o plebiscito não necessita de quorum ou porcentagem para validar a consulta popular, sendo preciso apenas que o sim tenha o maior número de votos. “O Tribunal Regional Eleitoral foi generoso com a gente”, completou Bilizario.

Para outro integrante da comissão, Josué da Silva, é necessária maior divulgação para o plebiscito do dia 28. “Há muita gente desinformada e não sabe do que se trata”, destacou. O vereador Cláudio Carvalho, que acompanha a comissão, considera a situação um desafio. “As pessoas não sabem da importância desta eleição para a Ponta do Abunã. É preciso conscientizar nossos eleitores para votar no sim”, disse.

Informação

Os eleitores da capital questionados pelo Diário tiveram dúvidas sobre o plebiscito. A falta de informação foi a grande reclamação. A estudante Jamile Acácio nem sabia que iria ser realizada uma consulta popular. “Só fiquei sabendo que teremos que votar, mas para que e o quê não sei bem não”. Outra estudante, Dryele Santos, também não sabia da votação. “Não sei para que serve essa eleição”, disse. As duas criticaram a falta de informação “Deveriam divulgar melhor o plebiscito”, contou Dryele Santos. 

A dúvida do engenheiro florestal Guido Sanick é se a eleição é estadual ou municipal. “Não explicaram direito se é uma eleição para os eleitores daqui ou de todo o estado”. Mas ele disse que já tem a sua opção. “Vou votar pela emancipação porque talvez possa trazer algum benefício para quem mora lá, já que a população da região não está sendo assistida pela prefeitura da capital”, afirmou. A professora de inglês Rafaele Bonfim disse que precisa pesquisar mais sobre o plebiscito. “Não tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas sei que temos que votar”. Já a secretária de uma empresa Eliane Araújo está preparada para a consulta e sabe em que vai votar. “A emancipação vai dar autonomia para quem mora lá lutar por seus direitos”.

Novos municípios

Sobre a defesa do distrito de Extrema ser a sede do novo município, os integrantes do Movimento Pró-Emancipação afirmaram ser devido à localidade e por possuir melhor estrutura dentre os quatro distritos que serão desmembrados. Segundo eles, essa preferência não vai atrapalhar o desenvolvimento das demais localidades. “Conforme o desenvolvimento de cada localidade pode-se lutar, no futuro, pela criação de outro município. Nada impedirá se assim desejar a população”, comentou Josué da Silva.

Desigualdade

A riqueza da terra e a pobreza da população é o retrato do contraste vivido na região da Ponta do Abunã. Com uma população aproximada de 30 mil habitantes, os quatro distritos convivem com uma situação de desamparo político. Escolas e saúde precárias, infraestrutura inexistente, dificuldade na comunicação e locomoção com o restante do estado. A região distrital fica a cerca de 300 quilômetros da sede administrativa, Porto Velho. Bancos, Correios, cursos de capacitação e de ensino superior, cirurgias médicas, a solução encontrada para estes problemas é ir ao estado vizinho, o Acre, que fica a 180 quilômetros. “O sentimento é de abandono”, diz o morador Delvanir Leonardelli.

Os moradores afirmam que a Ponta do Abunã tem um grande potencial agropecuário. Segundo eles, a localidade hoje tem cerca de 350 mil cabeças de gado e grande produção de banana, cupuaçu, açaí, milho e café, além da madeira e pedra brita. “A necessidade da criação do município é tamanha que hoje contamos com a participação de 21 partidos políticos nessa campanha, sem contar que a Assembléia Legislativa e a Prefeitura de Porto Velho estão nos apoiando, além de movimentos religiosos que estão engajados”, observou Josué da Silva. A comissão acredita que após a criação do município Extrema de Rondônia será a décima terceira cidade mais importante do estado economicamente e populacionalmente.

Comentar

 

 

 

Você pode usar estes tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Ultimas notícias publicadas no site